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20 de junho de 2012

pórtico


O mar bate na encosta e os sargaços que outrora integravam o "eu" estão à superfície, balouçam sem rumo.
A minha vontade leva-me para terras onde a natureza floresce e se exibe ao primeiro raio de sol; o meu dever acorrenta-me aqui e faz-me sangrar por dentro.
Por isso uso a máscara já gasta, de outros carnavais, outras instâncias de dor.
O problema é que ela acaba sempre por cair.
Na solidão.

3 de outubro de 2011

Nostalgia do meu bem perdido - 2

Desço a ravina aos solavancos e um cheiro doce a uvas maduras desperta-me os sentidos. Folhas secas povoam o chão e eu sigo o meu percurso de memórias guardadas. Ao longe, ouço o som abafado de conversa de vizinhas pautada pelo murmúrio das aves. Há maças caídas no quintal, galinhas a esgaravetar, um cão que ladra de saudade, uma sardanisca no muro, um gato vadio ao sol.
Verde, amarelo, bege e azul são as cores que preenchem esta paisagem bucólica dominada por uma discreta pacatez tão característica. As árvores deixam-se levar pela brisa suave, quente. Eu também. A melancolia invade-me aos poucos, como se pedisse permissão para levar cada pedaço meu. Sinto-me livre, despreocupada. Como se esta ambiência me levasse para bem longe e me enchesse a alma de sossego. Mas outrora não era assim ...
E a descida íngreme continua, ladeada por ervas daninhas donas de uma beleza única e rebelde.
Fecho os olhos. Há coisas de que não me quero lembrar. E entretanto sinto o aroma leve de despedida. Aroma de infância perdida.

19 de agosto de 2011

Submarino.

Vivo mergulhada neste espaço vazio e tão cheio ao mesmo tempo, nesta solidão a transbordar de pensamentos onde o óxigénio falha. Sufoco, sufoco em mim, na minha mente e olho em volta. Olho em volta e não estás. Saio da minha esfera difícil de quebrar, espreito a realidade e, rapidamente, sou de novo absorvida por esse mundo paralelo de ideias cruzadas, emaranhadas, turvas.
Levaste a minha razão contigo, é um facto. Por isso levitei até este espaço estranho que me acolheu e me engoliu. Preciso que voltes rápido e que me soltes, que rasgues as amarras que me prendem a este sítio profundo onde me encontro sentada, em estado autista, a ver a realidade a uma distância considerável. Quase que lhe consigo tocar mas há algo que se interpõe. Às vezes consigo mesmo alcançá-la, esticar a mão levemente para que possa flutuar neste mar de lágrimas e sentimentos que amarram com tanta força que até fazem sangue e deixam marcas nos pulsos. Mas não sou bem sucedida. Porque faltas tu e só tu. Porque há 605km entre nós. Ao menos consigo sentir o calor do teu coração.

23 de junho de 2011

« Se não morreu, está quase morto. Se não fizerem obras, morre mesmo. »

(Fotografia original por Ricardo Jorge Carvalho)

O Bolhão está velho. Ao fim de noventa e sete anos de existência, o mercado do Porto necessita de obras de reabilitação. Há dezoito anos que se tenta encontrar a solução ideal mas ainda nada foi feito. O dia-a-dia de quem vive as dificuldades e a controvérsia.

Os olhos de Dona Olga enchem-se, aos poucos, de lágrimas. Está a falar do passado. “Estou aqui desde os três dias. Tenho setenta e seis anos, veja aos anos que eu aqui estou. Não conheci outro emprego. Ia para a escola, da escola vinha para aqui, vinha ter com a minha mãe …”. Enquanto fala, não tira os olhos das flores que povoam a sua banca. O seu ténue perfume paira no ar e mistura-se com o odor de peixe fresco, de enchidos e até mesmo de animais. Cheira a Bolhão.

Dona Olga altera a sua expressão. Afirma, indignada, que “as obras nunca mais se fazem” e que sofre bastante, no Inverno, com o frio e com a chuva. Não culpa a crise pelo sucedido mas sim a falta de vontade dos que detêm o poder. Apesar das más condições, a florista tem de pagar 120€ por mês para continuar com o seu negócio. “Eu pago por esta barraca de ciganos vinte e quatro contos por mês. Sabe … eu falo em contos”.

Para qualquer lado que se olhe, encontram-se marcas de deterioração de um espaço que antigamente pertencia ao quotidiano de todos. Escorre água de fendas que se encontram nas paredes, fazendo com que o cinzento de um chão sujo, gasto, pareça ainda mais velho. Os comerciantes, maioritariamente do sexo feminino, vêem as suas bancas sem movimento. Uns estão sentados, outros de braços cruzados. Alguns arrumam os seus produtos, organizando tudo. As floristas retiram as folhas mortas às suas plantas, na esperança de que o seu ar viçoso convença algum apaixonado. Os pregões já praticamente não existem. As vendedeiras mais novas ainda arriscam dizê-los, de vez em quando, mas perdeu-se a vivacidade, a gana de outrora.

Dona Luísa também lamenta o estado deteriorado do mercado. Toucinheira há mais de quarenta anos, assegura que Rui Rio - actual presidente da Câmara Municipal do Porto - não informa os comerciantes das suas decisões, no que diz respeito à reabilitação do espaço. “O centro comercial não foi avante porque fizemos pressão, fizemo-lo ver que isso não tinha assunto e ele, de birra, agora anda aí a fazer uns buracos, andam aí uns engenheiros … Andam aí a fazer uns buracos para ver se isto aguenta ou não com as obras”. As escoras marcam firmemente o espaço que ladeia a barraca da Dona Luísa. São um sinal de necessidade, de uma urgência adiada, tanto que as próprias protecções já se encontram enferrujadas. Dona Luísa queixa-se, agora, do negócio. Hoje em dia, o Bolhão recebe mais turistas que clientes, pois só os compradores que ainda depositam confiança nos produtos do mercado é que se mantêm fiéis. Porém, os turistas não dão muito lucro: “Alguns ainda compram alguma coisa, gostam muito de linguiça, de comprar uma chouricita, uma morcelita …”. A toucinheira, que seguiu os passos da avó, não parece importar-se muito com isso. Gosta de ver os estrangeiros e acha piada às suas visitas, à curiosidade de quem não é de cá. “À hora de almoço aquelas mesas estão cheias de turistas. Os guias já nos cumprimentam, já nos conhecem. Eles vêm para aqui, gostam de ver a tripa enfarinhada, a orelheira, coisas que não têm lá nos outros países. Perguntam para que serve o sangue e as tripas … São tradições, cada terra tem as suas”.

O Sol já está a ir embora e os comerciantes fazem as suas últimas vendas. Susana Garcia está a comprar fruta numa banca de reduzidas dimensões. A vendedeira sorri, trata-a com uma extrema simpatia. É cliente habitual e está com pressa. Tem cerca de vinte e cinco anos e continua a frequentar o Bolhão porque gosta do ambiente. Susana prefere o mercado tradicional às grandes superfícies comerciais: “as coisas são mais frescas, têm outro aspecto”. Fala, voz penosa, do ar apodrecido do mercado. Há algum tempo, ouviu falar dos projectos de reabilitação que a Câmara do Porto tinha em mente. Porém, foi deixando de ouvir falar deles, de forma gradual, não esquecendo o projecto da TramCronNe de transformar o Bolhão num centro comercial de luxo, com classe para ter um Majestic no seu interior. Para tal, todo o miolo do mercado deveria ser demolido. Na opinião de Susana, a tradição devia ser mantida. Diz isto com afinco, segura de si. Parece-lhe uma aberração que assim não seja e torce para que o Bolhão recupere o seu esplendor.

Nos corredores quase não há vozes. As vendedoras arrumam as suas bancas. Foi mais um dia. Os seus rostos não denotam alegria nem tristeza, apenas uma expressão neutra. Tudo tem de estar preparado para mais um dia.

Os torneados, típicos do século XX, acompanham lateralmente a escadaria que, apesar de gasta, mantém a sumptuosidade. Dá acesso ao piso superior que poucos visitam. Menos de uma dúzia de comerciantes ainda se encontram lá instalados. Vendem fruta e legumes e já têm tudo quase arrumado. Dona Virgínia arrasta um balde velho, com pequenos furos, carregado de folhas de couve e de fruta em mau estado. Esteve a preparar a sua banca para o dia seguinte. Aos olhos da Dona Virgínia, o Bolhão terá morte certa se não se fizerem obras. Apesar de o mercado estar povoado por escoras, a vendedeira afirma que o edifício não está em risco de ruir: “Isto não está a cair, não vale a pena a gente dizer aquilo que não é. Já puseram aqui grandes pesos para ver se ruía alguma coisa e não ruiu nada. Seguro está, precisa é de obras”. Dona Virgínia trabalha no Bolhão há trinta e dois anos e diz que “não sai da cepa torta” pois o negócio está cada vez pior e a situação degradada do mercado não ajuda. Por fim, afirma com afinco: “já houve tempos melhores, dantes havia muito movimento. O mal todo foi os shoppings e o Pingo Doce aqui mesmo em frente. E o problema maior é não haver estacionamento. Já estamos há cinco anos com estes tratantes aqui e nada de obras”.

O portão da entrada principal encontra-se, agora, semi-fechado. Dois seguranças estão à porta, à espera que as últimas pessoas abandonem o recinto. Está quase tudo arrumado. Tudo, menos a bandeira portuguesa que está presa ao tecto do corredor central e que continua a movimentar-se ao sabor da brisa portuense.

13 de junho de 2011

Pensar é destruir



« Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam de assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte. »

Por Bernardo Soares (heterónimo de Pessoa) in O Livro do Desassossego


Odeio quando os meus pensamentos me encontram. 

20 de abril de 2011

desabafo do coração, reflexo da razão.


X senta-se, depois levanta-se. Enche de passos o corredor exíguo, abafado, quase sufocante. Y roda impacientemente, entre os dedos, a sua garrafa agora vazia. Cruza e descruza as pernas, arranja-se na cadeira de madeira gasta, reles, tentando encontrar conforto onde nunca houve nem haverá. M suspira, abre o seu caderno e arranca violentamente uma folha. Começa a escrever suavemente e as gotas de suor que lhe caem do rosto tingem e misturam-se com a tinta que suporta as palavras. Palavras de raiva, de amor, amizade? Não se sabe. R chegou, olha em volta, sente-se desorientado. Provavelmente não esperaria que tal ambiente lhe pesasse tanto nos ombros, que quase o empurrasse de encontro ao chão de tacos levantados, empoeirado, sujo. Q olha X de cima a baixo, focando-se com mais pormenor no rosto. Deve conhecê-lo de algum lado, contudo, tudo se mantém constante, nada acontece. Como se todos fosses bichos embalsamados arrumados em prateleiras velhas, esquecidas algures no tempo, no espaço.
E eu que sou vidro partido na pedra, que senti os nervos à flor da pele, que estalei, estou aqui sentada a escrever. De vez em quando quebro. Aí pego nas letras e amarro-as umas às outras debaixo do chicote do meu pensamento, da minha imaginação. Escrevo para me reencontrar, para que os meus pedaços voltem a formar uma unidade. Não quero ser como as pérolas do colar que arrebentou e que agora estão dispostas, aleatoriamente, no chão à espera que alguém lhes confira uma ordem própria, um rumo.
Não sei quantos tique-taques serão necessários até tudo voltar à normalidade, por isso escrevo e sou livre. Escrevo e amarro palavras. Escrevo e conserto o que está partido. Escrevo e quebro o que inútil.
Vem molhar-me chuva, vem ser a catarse da minha razão. Beija-me amor, leva-me daqui, leva-me para onde os teus beijos quiserem. Mas leva-me. Abraça-me, faz com que eu sinta que consigo tocar, agarrar o que nos envolve. Quero sentir-te comigo, quero sentir-te mais do que nunca. Preciso de ti. Sem ti a vida fica distante e o sorriso não volta. Sem ti tudo é negro. Sem ti não vale a pena. És a minha Vida.

20 de março de 2011

Dia 16 - A música que ouves quando estás triste

Fix You - Coldplay

 

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth.

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.

Tears stream down your face,
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...

Tears stream down your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I...

Lights will guide you home
And ignite your bones
I will try to fix you...


Descrição pura da tristeza. Um manual de instruções para a recuperação. Um ombro amigo. Uma luz no fundo do túnel.

2 de março de 2011

limite.


                        Encontro-me algures numa 
                                                                         ponte
                                                                                          suspensa.

1 de março de 2011

27 de fevereiro de 2011

metamorfose.


Quero atirar para bem longe o que tenho cá dentro, sair de mim; conseguir agarrar o meu interior despejado algures e moldá-lo ao sabor do vento, da razão, da emoção.
Sabes ? Por vezes os fios que me tecem dão um nó. Eu bem que o tento desamarrar mas o tempo que isso leva traz consequências. Quero trocá-los por outros bem melhores, pintá-los à minha maneira e fazer com que nunca mais se enlacem. O meu objectivo é tentar ser o mais perfeita que puder dentro dos limites da imperfeição da espécie humana. Quero ser a larva feia que dá origem à borboleta de uma beleza única. Quero ser o reflexo dos teus sonhos.

Perdoa-me as lágrimas.
Lembra-te que são as palavras que o coração não consegue dizer.
Perdoa-me.

20 de fevereiro de 2011

Dia 11 - A música que ninguém espera que gostes

Chopin - Opus 9 número 2



"Put all your soul into it, play the way you feel!"

Concordo plenamente com Chopin - quando se tem a audácia e a inteligência para chegar perto de um instrumento musical, deve-se fazer com que este transcreva copiosamente o que nos vai na alma. A verdadeira música não é composta por notas, claves ou pautas mas sim por dor, sofrimento, êxtase, alegria. Porque não sentimos o dó, o ré, o mi; sentimos angústia, medo, felicidade, esperança.
É por isso que ouvir Chopin mexe tanto comigo. Quando o faço, não ouço simplesmente uma melodia, um conjunto de notas lindíssimas - ouço os sentimentos de outro alguém e, através disso, consigo ouvir os meus. Mergulho dentro de mim.
Apesar de esta música transmitir tristeza, é sempre uma honra poder ouvi-la. É, simplesmente, uma obra-prima. Talvez a minha opinião seja suspeita devido ao facto de ter aprendido piano durante três anos e ter ficado dentro de mim aquele bichinho. Ultimamente tenho pensado muito no quão me arrependo de ter abandonado as aulas e confesso que uma parte de mim quer voltar apesar de todos os anos que já passaram.
Quem sabe, um dia.

18 de fevereiro de 2011

Dia 9 - A música que te faz adormecer

Stay - Alt Ctrl Sleep



Stay with me for always
Stay, in time, forever
Stay, and I can love you
Stay with me forever
Stay, in time, for always


Uma melodia suave, doce. Carinhosa quando se sente a falta de quem se ama; reconfortante quando se está triste.
Um autêntico calmante para uma alma em contínua reviravolta.

8 de fevereiro de 2011

Dia 4 - A música que te põe triste

What If - Coldplay

What if there was no light.
Nothing wrong, nothing right.
What if there was no time?
And no reason or rhyme?
What if you should decide
That you don't want me there by your side.
That you don't want me there in your life.

What if I got it wrong?
And no poem or song..
Could put right what I got wrong,
Or make you feel I belong
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life.

Entristece-me, põe-me a pensar naquilo que mais temo - que me deixes, que me abandones devido a um desígnio ou um qualquer capricho do destino. Ao mesmo tempo, é uma música lindíssima, com uma letra para saborear aos poucos, para nos deixarmos levar com ela. Adoro ouvi-la de olhos fechados, no escuro, ou então quando vou sozinha no metro e me perco em pensamentos. Também gosto de olhar para o ambiente que me rodeia, para toda a azáfama que se passa, para todo o furor de vida que entra, que sai, que ferve em correria. 
Apesar de os acordes tristes que a marcam, deixa, ao mesmo tempo, um leve tom de esperança que aquece
o coração, que leva a ponderar sobre muita coisa.
Simplesmente uma boa companhia.
 


3 de fevereiro de 2011

leves pedaços de tempo.


O mundo circulava, rodava sobre si mesmo, num tom invernal. Contudo, naquele pedaço de tempo, o Sol saboreou a nossa pele, a nossa alma e aqueceu, iluminou tudo. Bem sabes que as pessoas circulavam envoltas nos seus casacos, aconchegando-se ligeiramente na roupa que envergavam, na azáfama do tempo. Mas nós, estavamos despojados de tudo, num outro universo, só nosso, que o Sol aquecia.
Foi reconfortante, sabes? Foi bom ver que apesar da nuvem gigante e pesada que se agarrou a nós se foi embora, subtilmente. Senti-me bem longe de tudo e de todos, só contigo, algures.
Não importa onde; não importa quando. Só tu importas.




You're so fucking special.

1 de fevereiro de 2011

Cansaço.

Cansaço. Cansaço. Cansaço. Por muito que tena descrever o meu estado de espírito, só me ocorre esta simples e miserável palavra: Cansaço.

Só me apetece deitar-me ao teu lado, deixar que os teus braços me apertem e adormecer assim. Pouco me importa que tudo o resto me passe ao lado, que o tempo corra e eu permaneça quieta, no mesmo sítio.

Se ele corre, um dia também se cansará. Como eu.

27 de janeiro de 2011

Completas-me. Refazes-me.


És o meu sorriso, os meus beijos, o meu olhar, o palpitar do meu coração, os meus sentimentos e emoções.
Resumindo, és a razão pela qual continuo a enfrentar os meus medos, os meus anseios. És a razão pela qual continuo a aceitar novos desafios e a desafiar-me continuamente. Contigo, as minhas lágrimas desaparecem e a minha mágoa é absorvida. Fazes-me esquecer tudo o que me preocupa e enquanto estás comigo, tudo se esfuma, tudo parece muito melhor. És a única pessoa que me liberta por completo.
És a minha droga e garanto-te que já não consigo viver sem ti ♥.
Desculpa-me, perdoa-me se, por vezes, a minha tristeza fala mais alto mas é que em alguns momentos é demasiado forte. É injusto para ti, eu sei, mas peço que me compreendas e que me ajudes; que passes a tua mão pela minha face e pelo meu cabelo (não imaginas como esse simples gesto teu pode fazer-me tão bem).
 Já sabes que estarei aqui para ti, ininterruptamente.

É para Sempre, já disse ♥

26 de janeiro de 2011

desabafo.

Confusão. Tristeza. Vontade de chorar. Desorientação.
A minha mente está um quarto desarrumado, com gavetas arrancadas dos armários, estateladas no chão. Lembranças espalhadas, perdidas num chão de nenhures (ou algures?).
Há que encontrar a ordem no caos. Ou não. 

25 de janeiro de 2011

Hoje não é o dia.



Um dia vou perceber o amor, as crenças e a religião, a amizade, a mentira e a verdade, a sinceridade, o ódio e a empatia, a honestidade, a ternura e a simpatia, a raiva e a frustração, a vergonha e a ambição, a mágoa, a maturidade e a humilhação, o receio, a liberdade e a ilusão, o optimismo, o tédio e a traição, a euforia, a solidão e a cumplicidade, a justiça, a união e a saudade, o desejo, a vaidade e o orgulho, a esperança, a ingratidão e a indiferença, o desânimo, a simplicidade e o prazer, a lealdade, a serenidade e a melancolia, a lassidão, a versatilidade e a negação, a tristeza, a ansiedade e a compreensão.

Um dia vou perceber o mundo, as pessoas que o povoam, as culturas, as razões, os porquês, a sociedade, os sonhos, a vida, a morte, enfim, a humanidade.

Hoje não é o dia.

23 de agosto de 2010

Chronos



                                                
Hoje tudo o que em mim sente, dói. Tenho medo, estou triste. Costumo ficar assim quando não sei o que fazer, quando não sei como dar a volta por cima. Respiro fundo para tentar que um breve fluxo de optimismo me percorra todas as terminações nervosas do meu corpo. Mas não passa daquilo que é mesmo, breve. Vou apanhar um pouco de ar fresco e reparo que pequenas, minúsculas, gotas de chuva caem na minha pele. Sinto-me, por alguns momentos, liberta de tudo e de todos mas também é só por alguns momentos. Doi-me os olhos de ver, a cabeça de pensar, o corpo de viver e o coração de amar. Às vezes quero desistir mas logo me arrependo. Sou forte o suficiente para que todo o meu interior se desfaça em bocados vezes sem conta e que se volte a reconstruir. Tenho receio das cicatrizes. Só desejo que as horas se transformem em segundos. Mais nada.

17 de agosto de 2010

Expiração

          Olho para o mar na esperança de ver a minha alma, a minha vida regressar. Não sei quando voltarás nem onde estarás mas espero estar bem junto do teu coração. Escrevo-te no meu quarto escuro. Escrevo-te porque, se não o fizesse, creio que morria. Sinto mesmo a tua falta. Não há dia nenhum que não me lembre quão bons são os momentos que passámos juntos, quão maravilhosos são os sonhos que construímos. Há um vazio dentro de mim. Sinto que, se pudesse, conseguiria tocar-lhe. É denso, é esmagador. Todos os dias o meu peito é escavado. Todos os dias perco bocados de mim apesar de o exterior permanecer o mesmo. Sou um exterior sem interior. Sinto-me oca. Sou um corpo, simples e reles monte de matéria. A alma? Levaste-a quando partiste.   
        Sento-me na areia molhada. Observo compulsivamente cada onda, na ansiedade de poder ter um pouco de ti. À noite, contemplo o céu estrelado e penso se estarás a ver o mesmo que eu, no mesmo momento que eu; se estarás a contar as mesmas estrelas que eu e se estarás a pensar o mesmo que eu. Perguntas sem resposta. Estás incrivelmente longe, longe. Não consigo mais encostar-me ao teu peito e ouvir o teu coração bater, não consigo abraçar-te sequer. Choro de saudade, de nostalgia, de dor. Choro por te amar.
        Nada. É esta a palavra que mais tem ocupado a minha mente ultimamente. Sinto que não posso fazer nada, que não sou nada, que talvez possas vir a não sentir nada por mim. Impotência, incapacidade, incerteza, insegurança têm-me turvado a racionalidade. Aliás, tenho-me vindo a sentir cada vez mais irracional à medida que te amo cada vez mais.
         Quando voltas? Quando volto a mergulhar os meus olhos nos teus? Quando volto a sentir o sabor salgado do mar da tua pele? Uma vez mais, perguntas sem resposta. Até lá, deixo-me cair na cama e fico inexpressiva. A minha mente está em ti, o meu olhar está perdido em algo que não consigo identificar. Estou presa a ti pelo verbo “sentir”. E dói.
       Não te quero entristecer, nem tão pouco que te preocupes comigo. Quero que me ames e nada mais. Isso já me chega, é tudo o que preciso.  ♥